Dez itens para que os geeks trabalhem em paz

Por Gilberto Alves Jr.

Renata Rocha adaptou o excelente (com 2760 diggs) artigo de Nomadishere sobre o que os geeks - ou nerds, ou profissionais de TI, ou pessoas inteligentes :) - precisam para trabalhar sem stress e produzirem mais.

Assim como o Cardoso, são estes alguns dos principais motivos que me levaram a sair do meu antigo emprego e abrir uma empresa. Só sendo meu próprio chefe eu pude ter certeza de que não passaria por estes problemas novamente. Segue a minha própria adaptação do mesmo texto.

As 10 coisas que geeks precisam para viver e trabalhar em paz, sem stress e produzir mais:

1. Deixe que ele controle seu próprio horário.
Assim nós produzimos muito mais do que no horário em que somos obrigados. Entre 7 e 10 da manhã meu cérebro não funciona, não tem jeito. No entanto, em nenhum outro horário sou mais produtivo do que entre as 2 e 4 da manhã. Cada pessoa tem seu horário em que produz mais e melhor. Geeks têm uma capacidade sobre-humana de fingirem que estão trabalhando enquanto estão dormindo.

2. Deixe que ele controle seu próprio ambiente de trabalho.
Não imponha regras “para todos” neste sentido, porque nós não somos iguais ao pessoal do administrativo e de vendas. Se ele quer se enfiar num canto da sala, longe de todos, deixe. Se puder deixá-lo escolher sua mesa, cadeira, lugar na sala, etc, será perfeito!

3. Deixe que ele controle sua própria luz.
Muita luz é ótimo para trabalhar com papeis e péssimo para trabalhar com computadores. Muitos geeks gostam de trabalhar à meia luz, por isso não imponha uma certa iluminação. Cansei de ter dores de cabeça por causa da luz forte demais, por não poder fechar uma maldita persiana.

4. Deixe que ele controle seu próprio (fone de) ouvido.
Para trabalhar direito, precisamos de concentração. Para isso, é preciso silêncio e/ou um fone de ouvido tocando algo barulhento - que na prática é a mesma coisa. Não deixar um nerd usar fones de ouvido é um pecado mortal.

5. Deixe que ele controle sua própria roupa.
Não somos homens de negócios. Que a roupa social fique para os advogados. Quanto mais confortavel e à vontade o geek está, mais produz.

6. Deixe que ele controle onde vai fora da empresa.
Podemos gostar de um evento social, ou não. Essas coisas não podem ser obrigatórias.

7. Deixe que ele controle quando quer falar ou não com você.
Se você precisa falar com um geek siga esta seqüência: a) Envie um e-mail dizendo o que quer; b) Caso seja algo urgente, fale pelo messenger; c) Se algo estiver explodindo e a escolha for entre interrompê-lo ou a falência da empresa, telefone ou fale diretamente com ele - mas só neste caso. De novo: precisamos de concentração! Quando você interrompe, levamos um tempão para entendermos o que estávamos fazendo novamente.

8. Deixe que ele controle se quer ou não fazer algo além do que aquilo que ele foi contratado para fazer.
Em empresas pequenas, principalmente, todo mundo acaba fazendo um pouco de tudo. Mas o geek ficará furioso (e isso VAI impactar furiosamente na produtividade dele) se for obrigado a fazer coisas que não são seu trabalho. Eu já fui obrigado a levar o lixo pra fora, atender telefone, lavar a louça, dar suporte técnico, fazer atendimento…

9. Deixe que ele controle quando e como acessa a internet.
Não adianta: a pessoa que você contratar para bloquear a internet não será mais inteligente que os geeks que você quer impedir de acessá-la. Se ela for, pode ter certeza de que pelo menos a metade do expediente do geek será gasta procurando um jeito de burlar o sistema. Eu poderia fazer outro artigo citando dezenas de modos (que já usei) de burlar esses bloqueios.

10. Conclusão: cobre produtividade, deixe que ele controle o resto.
Você entendeu: não controle o geek, deixe que ele controle todo o seu ambiente. Assim ele vai produzir mais. Mas hoje eu trabalho com geeks e sei que não posso deixar de controlar o trabalho da empresa. Eu acredito nisso: dê um desafio e liberdade a um programador e ele trabalhará mais, melhor, e com amor.

Você pode e deve cobrar os resultados. Pode cobrar que o prazo que ele mesmo deu a você seja cumprido, mas impor regras que não fazem sentido nenhum só fará com que a produtividade do geek caia, o stress aumente e ele procure outro jeito de ganhar dinheiro sem tanta dor de cabeça.

Comigo pelo menos foi assim. Quer acrescentar um item a esta lista?

 

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O que é preciso para ser um bom designer?

Uma das melhores definições de design gráfico que já ouvi é esta da designer Jessica Helfand: “Design gráfico é uma linguagem visual que une harmonia e equilíbrio, cor e luz, escala e tensão, forma e conteúdo. Mas é também uma linguagem idiomática, uma linguagem de símbolos e alusões, de referências culturais e inferências perceptuais que desafiam tanto o intelecto quanto o olhar”.

Gosto muito desta definição. A primeira parte é um sumário convencional do design gráfico, com o qual todos concordamos. Mas a segunda parte nos leva para uma área mais densa: ela trata o design como uma força expressiva. Essa segunda afirmação deixa claro que a consciência cultural é tão importante para um designer quanto suas habilidades técnicas e suas qualificações acadêmicas.

Ao ser perguntado se fazia pesquisas específicas para escrever cada um de seus livros, o escritor inglês Iain Sinclair respondeu que toda a sua vida era na verdade uma grande pesquisa. Não consigo imaginar nada mais apropriado para um designer gráfico. Se você não estiver constantemente absorvendo o que existe ao seu redor, criando algo como uma “inteligência visual”, você nunca será um designer gráfico.

Dizem que os arrombadores de cofre esfregam a ponta dos dedos com lixas para aumentar a sensibilidade táctil. Eles deixam a ponta dos dedos muito sensíveis e faz com que consigam sentir todas as nuances do mecanismo que abre o cofre. O mesmo vale para o design gráfico: quanto mais sensível você se tornar em relação ao mundo ao seu redor, melhor será a sua resposta (criativa) em relação a este mundo. Isto significa estudar o design em todas as suas manifestações contemporâneas e também a história do design e das artes visuais em geral, mas também quer dizer conhecer o mundo além do design gráfico.

As vezes os designers, como outros profissionais por aí, imaginam que o mundo gira ao redor do seu umbigo, do design gráfico. Isto acontece especialmente quando se trabalha com design mais de 14 horas por dia. Mas aí vai uma dica. O mundo não gira ao redor do design! Os bons designers, em sua maioria, tem interesses pessoais que vão muito além do design gráfico. O design pode até ser a sua preocupação maior, mas ele não deixa de ter outros interesses.

OK, mas afinal, como isto me ajuda a ser um bom designer gráfico?

A coisa mais importante quando você estiver discutindo um trabalho com um novo e potencial cliente é demonstrar conhecimento, abertura e receptividade. O designer que demonstra apenas sinais de soberba e restrição de foco de atuação não vai inspirar o seu cliente. Isto parece óbvio, mas é surpreendente a quantidade de designers que usam as reuniões com clientes para falar sobre si mesmos e seu trabalho. Esses são os mesmos designers que reclamam mais tarde que o seu trabalho é frequentemente rejeitado ou que eles nunca podem fazer o que eles querem. Estes designer são culpados do pior crime que um designer gráfico pode cometer: auto-suficiência e visão estreita da realidade. Para o designer com ambições, essas duas coisas são fatais!

Se você puder demonstrar algum conhecimento sobre o campo de atuação do seu cliente, se você conseguir falar sobre o projeto com tranqüilidade e se você ouvir mais ao invés de só falar sobre si mesmo, você vai se impressionar com a receptividade do seu novo cliente sobre suas idéias. Parece um paradoxo, mas quanto menos você embasar o relacionamento cliente/designer sobre você próprio, mais sucesso você terá.

Além de possuir referências culturais e ter conhecimento do mundo além do design gráfico, um bom designer também precisa se comunicar bem. Isto não é o mesmo que saber fazer discursos eloqüentes, mas se refere à habilidade de saber falar sobre o seu trabalho, especialmente com clientes e com quem não é designer, de maneira coerente, convincente e objetiva, sem se utilizar da mesma linguagem que você costuma usar com outros designers. E como a comunicação é uma via dupla, isto significa também saber ouvir. O design gráfico precisa comunicar uma idéia sem o uso de comentários (escritos ou falados) que descrevam suas intenções: você não pode ficar ao lado de um web site, por exemplo, chamando a atenção das pessoas que que entrem no site e explicando para cada usuário como você utilizou os grids para criar uma noção de conjunto, pode? Apesar disso, os designers precisam das palavras, especialmente quando estão apresentando um novo projeto.

Convencer o seu cliente de que suas idéias são corretas e de que o dinheiro dele está sendo bem gasto requer argumentos muito bem formulados.

Uma boa técnica para desenvolver a habilidade verbal é descrever o que você criou sem mostrar o trabalho. Tente descrever com a maior quantidade de detalhes possível, de tal modo que não seja necessário ver o trabalho para entender o que você projetou.

E lembre-se: a maneira como um designer apresenta suas idéias é tão ou mais importante que as próprias idéias. Quando uma idéia é rejeitada, muitas vezes é a apresentação que está sendo rejeitada e não a idéia em si.

Sobre o autor

Marcos Nähr
Marcos Nähr (Marcos_Nahr@Dell.com) é formado em Design Gráfico. Trabalha no departamento de Global eCommerce da Dell Computadores onde atualmente exerce a função de Consultor de Conteúdo para América Latina. É também professor do curso de Comunicação Digital da Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

 

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Os melhores blogs brasileiros em tecnologia e web

Organizar de alguma maneira a vastidão de dados que inunda a internet não é tarefa fácil. Tanto isso é verdade que a todo momento estão sendo lançados filtros cada vez mais engenhosos para dar um pouco de ordem ao caos. Do Google ao Digg, cada um lista à sua maneira o que há de melhor na web dentro de critérios específicos, sempre tentando privilegiar a inteligência coletiva e o fator humano sobre a automatização mecânica.

Algumas vezes, entretanto, a opinião pessoal ainda consegue organizações mais lógicas. Se formos escolher quais são os melhores blogs do Brasil, por exemplo, podemos usar o critério da quantidade de links, como faz o rankings do Technorati. Isso leva à conclusão que o Interney.net é melhor do que o Blog do Noblat. Ora, isso faz tanto sentido quanto dizer que a Exame é melhor do que a Playboy. Ambas são revistas, contudo tratam de assuntos distintos.

Critérios

Para montar uma lista dos melhores blogs nacionais para o Webinsider, tivemos que adotar alguns critérios.

O primeiro é o escopo do blog. Se os leitores pedem ao Webinsider uma lista dos melhores blogs, há que se acreditar que eles desejam boas fontes relacionadas ao conteúdo deste site, ou seja, tecnologia focada em web.

O segundo critério é a quantidade. Quantos são os melhores blogs do Brasil em um universo de milhares? Cinco? Dez? Cem? Optamos pelo número dez, por ser um valor que parece funcionar bem para a mente humana, acostumada a numerações decimais.

O terceiro é a definição de blog. A lista comporta apenas blogs mantidos por um ou dois autores, cujos sites mantenham os artigos em ordem cronológica, ofereçam feeds e permitam comentários. Com isso ficam de fora sites com equipes gerando conteúdo, como o Meio Bit e similares.

O último critério é a subjetividade. Uma lista como essa reflete a opinião do autor. Como toda lista, ela inclui itens que você concorda que ela deva incluir e exclui outros que você discorda que estejam de fora.

Nesse ponto cabe uma dica, já sabendo da polêmica que toda lista causa: em vez de criticar, que tal aproveitar o espaço dos comentários para fazer a sua própria lista dos melhores blogs nacionais sobre tecnologia e web?

A lista

Dito isso, vamos aos eleitos, em ordem alfabética.

BrPoint, de Bruno Alves

Bruno Alves é um dos chamados probloggers brasileiros e conhece bem programação. No BrPoint (um dos diversos blogs para os quais ele escreve), é possível encontrar praticamente todos os dias informações interessantes sobre tecnologia e desenvolvimento.

BrunoTorres.net, de Bruno Torres

Bruno Torres possui um conhecimento imenso sobre desenvolvimento web e compartilha praticamente tudo com seus mais de 3.300 assinantes no blog. Embora tenha passado um período no ostracismo, voltou recentemente a blogar e compartilhar seus conhecimentos com os leitores.

Dia a Dia, Bit a Bit, de Silvio Meira

Cientista-chefe do C.e.s.a.r. e presidente do Conselho de Administração do Porto Digital, Silvio Meira bloga principalmente sobre inovações tecnológicas e empreendedorismo na área de tecnologia.

A freqüência de posts não é tão intensa, já que ele também é professor do Centro de Informática da UFPE, palestrante, visionário, batuqueiro de maracatu e mais uma dúzia de apostos. A qualidade das idéias, no entanto, compensa a baixa freqüência com larga vantagem.

DWD:3, de Luli Radfaher

O blog DWD:3 foi criado a fim de ser um local de troca de idéias entre Luli Radfaher e seus leitores para a elaboração do livro Design/web/design:3. Não se sabe exatamente em que pé anda a proposta, já que o lançamento do livro era previsto para o final de 2006. O ponto positivo é que o blog continua funcionando, com posts preciosíssimos sobre criatividade, design e inovação.

Para quem não conhece, Luli é Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP, onde também é professor. Passou por diversas agências e chegou a ser vice-presidente de conteúdo da Starmedia, em Nova Iorque. Se você acha que se trata de um engravatado executivo tradicional, deve urgentemente assistir a alguma palestra dele.

Interney.net, de Edney Souza

Edney Souza é o blogueiro que começou antes de todo mundo e hoje colhe os frutos de ter sido um visionário. Em 2001, enquanto todos achavam que blogs eram diários adolescentes, lá estava ele escrevendo sobre tecnologia e afins no Interney.net.

Hoje seu blog é um dos endereços mais conhecidos do Brasil, o que deu liberdade financeira ao autor para se dedicar somente ao que gosta: blogar sobre tecnologia, inventar adendos para a web e, mais recentemente, empresariar outros autores em um condomínio de blogs.

MarcoGomes.com, de Marco Gomes

Marco Gomes é um brasiliense de 20 anos que está nesta lista por ter incorporado com sucesso o estilo “do it yourself”, que muita gente fala mas não pratica, mesmo com todas as ferramentas à disposição.

Este jovem programador de interfaces passa algumas madrugadas em claro inventando aplicativos web como o Wallpapr, Got Stress e, principalmente, o Boo-box. Tudo é devidamente relatado no blog, que assim se torna uma boa fonte de inspiração para quem quer empreender na web.

Revolução Etc, de Henrique Costa Pereira

Não é à toa que o Revolução Etc possui mais de 2,8 mil assinantes de feeds. O blog de Henrique Costa Pereira traz posts sobre desenvolvimento web com a visão de quem está com a mão na massa, tanto na hora do emprego quanto no momento do lazer. Com isso os leitores têm acesso a dicas e opiniões sobre desenvolvimento web, com destaque para web standards, microformatos e usabilidade.

Usabilidoido, de Frederick van Amstel

O Usabilidoido tornou-se em pouco tempo referência nacional em usabilidade. O início do blog foi bastante intenso, com o público acompanhando a evolução de seu autor, Frederick van Amstel, que devorava tudo o que saía sobre usabilidade para web.

Com o tempo o Usabilidoido diversificou mais os assuntos e agora está se redirecionando para o design de interação. Percebe-se também que os artigos estão mais profundos e até certo ponto acadêmicos, reflexo do mestrado que está sendo cursado pelo autor.

Versão txt, de Fabio Seixas

No Versão txt saímos um pouco da parte técnica do desenvolvimento web para falarmos principalmente sobre empreendedorismo, através das palavras de Fábio Seixas, empresário do Camiseteria, uma startup de web 2.0 que aproveita a colaboração do público para criar estampas e vender camisas pela web.

Seixas, que se acostumou a compartilhar idéias e opiniões também em palestras, está freqüentemente postando sobre maneiras de aproveitar as possibilidades da web para fazer negócios.

Viu isso?, de Michel Lent Schwartzman

Michel Lent Schwartzman é proprietário de uma das maiores e melhores agências de comunicação interativa do Brasil, a 10 Minutos. Nem por isso ele deixa de estar presente onde a comunidade de desenvolvedores web está: no Flickr, no Orkut, no YouTube, nos podcasts, nas listas de discussão e, é claro, no seu próprio blog.

Ou seria o contrário? É por estar presente em todos essas lugares e acompanhar de perto o que há de mais recente em desenvolvimento web que o Michel é proprietário de uma das maiores e melhores agências de comunicação interativa do Brasil? Fica a dica para os empresários da área que lêem o Webinsider, mas ainda não lêem os blogs acima e nem se envolvem como poderiam com a comunidade web.

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Pirataria

A ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) divulgou algumas semanas atrás um estudo, encomendado ao Ipsos. O estudo mostra que, das famílias que compraram um PC do programa PC para Todos, uma parcela imensa (73%, pelo menos) trocou o sistema original por um Windows.

Isso não me espantou. Afinal, um Windows XP pirata custa R$ 10 no camelô da esquina. O mesmo preço que o Office, o Photoshop ou o Windows 2003 Server.

Na verdade, sou capaz de apostar que um monte deles nem chegou a bootar o Linux que veio instalado para saber a cara dele.

Avestruzes

O que me espantou não foi o “índice de desistência” dos usuários. O que me espantou foi a inocência na interpretação de alguns dos dados da pesquisa.

Por exemplo, dizer que 47% são usuários de Windows pirata é ser muito inocente.

Quem é que compra um computador em parcelas de menos de R$ 90 por mês e gasta R$ 469 em um sistema operacional? Aliás, um sistema que vem quase sem nenhum programa e que vai precisar que gastem, no mínimo, R$ 369 (que é o preço do Office 2003 para estudantes) para poder abrir um arquivo do Word ou Excel.

Acreditar que só 47% dos usuários de Windows são piratas praticamente justifica o diagnóstico de um “Complexo de Polyanna”.

A solução proposta pela ABES

Eu gosto sempre de lembrar as pessoas de que todo problema tem uma solução simples, elegante e errada.
É claro que a ABES propõe que o governo relaxe em sua postura de não admitir software proprietário no pacote. É disso que a ABES vive — das contribuições de empresas de software. Dando nomes aos bois, a ABES propõe que o governo permita o uso de recursos públicos para financiar a compra do sistema Windows Starter Edition. Isso mesmo: Aquele que só deixa você abrir três programas.

Dizem eles que o governo impõe o uso do Linux. Isso é bobagem — o governo apenas exige que o software seja livre. Os fabricantes podem atender a exigência usando Linux, BSD, ReactOS, Darwin, Oberon ou qualquer outra coisa com a licença de uso correta.

Sejamos sinceros: quanto tempo um usuário mediano aguentaria um Windows que não o deixa abrir mais do que três janelas? Que tipo de usuário acredita que o computador não deixa ele abrir mais de três janelas porque o computador dele é “fraquinho”?
Isso sim é um incentivo à pirataria: pagar por um software com uma limitação arbitrária imbecil como essa.

Quem ainda acredita, de verdade, que a oferta de Windows XP a R$ 10 vai desaparecer com isso levante o braço.

Mais Polyannas.

Monopólios

O mercado de software é um mercado propenso à formação natural de monopólios. Quanto mais usado é um produto, mais útil é usá-lo também. É por isso que tanta gente usa Windows — muita gente usa porque muita gente usa. Como muita gente usa, é mais fácil encontrar produtos para ele.

Como software pirata, por exemplo.

É incrivelmente difícil encontrar nos camelôs, por exemplo, um AIX 5L Expansion Pack, um OS/2 para PowerPC ou um BeOS. Ocasionalmente eu me divirto perguntando por algo assim e observando que o rapaz, diligentemente, anota o meu pedido. Não tenho qualquer intenção de ir buscar o CD se, depois de porcos voarem e do inferno congelar, ele os conseguir.

Discriminação de preços

Discriminação de preços é quando você vende o mesmo item a preços diferentes para mercados diferentes. No caso do Windows, a Microsoft vende o mesmo Windows XP por um preço para os lojistas. É da Kalunga que eu peguei o preço de R$ 470 (469, na verdade). A Microsoft também vende o mesmo Windows XP para grandes clientes a preços menores (uma empresa que tenha 1000 desktops Windows não vai precisar desembolsar R$ 470 mil para instalar XP em seus computadores — e pode gastar a diferença nos necessários anti-vírus, anti-spyware, anti-malware e anti-tudo). A Microsoft também vende o mesmo Windows XP para os fabricantes de computadores, nas chamadas licenças OEM, por um preço muito menor — o preço de um XP nessas condições está perto de R$ 100.

A isso, combina-se a ação da ABES em conjunto com as polícias, para encontrar as empresas que usam software pirata e, possivelmente, oferecer a opção de legalizar seu uso do software pirata, pagando por ele. Com isso, temos mais uma categoria de preços — que permite praticar preços limitados apenas ao preço da multa combinada ao incômodo de se ir pra cadeia.

Assim a Microsoft (e outras, claro) pode vender seus produtos pelo maior preço admissível para cada tipo diferente de cliente, do fabricante, que vende milhares de unidades, ao geek, que monta seu próprio computador, passando pelo empresário que não sabe direito o que tem nos próprios computadores e será ajudado nisso pelos nossos amigos da ABES em um processo doloroso e potencialmente fatal para a empresa, mas muito educativo para quem participa dele.

Até aqui, isso é natural e não é exclusividade da Microsoft. Qualquer empresa que procure lucros vai fazer isso.

O maior mercado de todos

O software dela compete em mais um mercado.

Ao dar as costas ao pequeno pirata — o camelô, o adolescente espinhento que montou seu micro e instalou um Windows pirata, o médico que trocou seu Windows 98 por um XP ou o trabalhador que comprou um PC Conectado e pagou R$ 50 para um picareta sem-vergonha instalar um Windows e cometer um crime pelo qual o dono do micro pode ter que pagar — a Microsoft compete em mais uma categoria de preços — os preços do camelô.

Sim, porque embora ela não tenha lucro com esse comércio, os prejuízos dela são mínimos. É um mercado em que ela escolhe não participar oficialmente.

Quem realmente perde com a pirataria?

Os prejuízos para os fornecedores que dominam seus segmentos (Adobe, Microsoft, Autodesk) podem ser mínimos face ao seu faturamento total, mas, para os fabricantes que oferecem alternativas, que frequentemente praticam preços baixos para ganhar mercado, essa competição é devastadora.

E tudo o que é devastador para o pequeno concorrente é vantajoso para o fornecedor dominante.

Você já se perguntou por que ninguém lança uma planilha eletrônica proprietária nova desde 1995? Por que ninguém faz um editor de textos para concorrer com o Word? Ou um editor de imagens como o Photoshop? Já se perguntou por que as únicas alternativas a esses produtos são livres, gratuitas (ou muito baratas) ou ambos?

É porque você precisaria bater o preço não do fornecedor dominante, mas do camelô.

Isso torna quase impossível ganhar dinheiro com a venda de software nesses segmentos. Esses fabricantes, aliados aos piratas, devastaram o mercado para todos os outros. Só eles lucram. Para os outros, sobram os nichos. Sobra o mercado de software feito sob-medida (que é grande — muitas empresas vivem muito bem nele), ou aqueles mercados minúsculos, como software para filatelia ou corretores de imóveis.

Para os demais, o único jeito de se ganhar dinheiro é em contratos de suporte, garantias ou serviços atrelados. É por isso que a Apple dá o iTunes — para você comprar músicas na loja deles. É por isso que a Red Hat, a Canonical, a Novell e a Insigne (empresa nacional que fornece Linux a vários fabricantes do PC Conectado) deixam que você baixe o Linux do site deles — porque, dependendo do seu uso, você vai contratar um serviço de suporte ou consultoria e é disso que eles vivem. Nenhum deles ganha dinheiro com a venda de caixinhas.

A verdade, triste, é que muito poucas pessoas procuram alternativas legais aos programas pelos quais não querem pagar. Em vez de usar um Linux ou um BSD, preferem comprar um Windows pirata. Em vez de um GIMP ou um PhotoPaint, usam Photoshop pirata.

Um beco com poucas saídas

Diversidade e competição são irmãs. Juntas, elas são a mão da Evolução — aquela mesma que nos tirou de uma gosma marrom da beira dos oceanos primitivos e permitiu que você e eu, descendentes de macacos, conversássemos por meio desse artigo. Isso e mais um monte de outras coisas.

Ao eliminar uma, pagamos o preço das outras. Sem diversidade não existe competição. Sem competição, não existe evolução.

O pior de tudo é que muitos desses acham que está tudo bem.

 

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The Easter Bunny Hates You

Feliz Páscoa a Todos, ótimo fim de semana… hauhuahuahuaha

=)

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