Segurança local é igual chifre, é uma coisa que colocam na sua cabeça

Uma instalação padrão do Kurumin no HD dá poder de administrador para um usuário comum (o usuário padrão Knoppix) *é* sim uma questão de insegurança, não meramente "pode ser mudado depois"."

O ponto da segurança local não é bem assim. Nenhum sistema operacional atual oferece um sistema de segurança local eficiente, isso simplesmente não existe.

Vou dar três exemplos:

Para virar root em qualquer distribuição Linux: Dê boot com o CD do Kurumin (ou outro live-CD), vire root, monte a partição onde o outro sistema está instalado (ex: mount /dev/hda1 /mnt/hda1)

Use o chroot para "entrar" dentro da partição da outra distribuição: chroot /mnt/hda1 (ou o que seja). A partir daí você terá um terminal root da outra distribuição. Digite "passwd" e defina uma nova senha de root.

Pronto, agora você tem a senha de root do Slackware ou Red Hat ultra seguro do micro do seu vizinho. Se a maquina não tiver CD-ROM, não faz mal, o disquete do tonsrbd também serve.

No Windows NT/2000/XP, basta apagar o arquivo de senhas (%systemroot%system32configSAM), isso vai deixar todas as senhas em branco, incluindo a do administrador.

Se a máquina não tiver CD nem disquete, não tem problema, use uma Memory-Key ou CD-ROM USB para dar boot. Se tiver senha no setup, não tem problema de novo, dê um curto nos dois polos da bateria e ela some.

Ou seja, a partir do momento que você tem acesso físico à maquina, bastam alguns truques simples. Segurança local é igual chifre, é uma coisa que colocam na sua cabeça.

A única forma eficiente é usar algum sistema de arquivos com encriptação. Ainda não é 100% seguro, mas pelo menos vai dar mais trabalho. Infelizmente eles também possuem desvantagens, como perda de desempenho e uma certa dificuldade para fazer a configuração inicial.

O uso do sudo no Kurumin sacrifica uma falsa segurança em troca de uma maior facilidade de uso. Isso também diminui o numero de usuários rodando o sistema como root, o que abre problemas de segurança mais sérios. Se você tentar se logar como root na tela de login do Kurumin, vai receber uma mensagem "logins de root não são permitidos", até que altere manualmente a opção no arquivo /etc/kde3/kdm/kdmrc

A minha idéia é que o usuário leigo passa instalar programas e usar os privilégios de root quando necessário, mas sem abrir programas como root todo o tempo. Sem isso, o que costuma acontecer é o usuário simplesmente ficar usando o root o tempo todo, isso é muito comum entre novos usuários do Slackware, Conectiva, etc. Acho que dos dois maus, o uso do sudo é o menor.

No Slackware por exemplo você pode simplesmente pressionar Enter três vezes durante a instalação para deixar a senha de root em branco (!), depois usar esta conta de root (ele não lhe dá a opção de adicionar um usuário não privilegiado durante a instalação e um usuário iniciante não vai saber como fazer isso depois), permitindo que qualquer engraçadinho se conecte na sua máquina como root via Internet através do servidor SSH que fica habilitado por default ao habilitar a categoria "N" durante a instalação.

Também não existe no Slackware nenhum script de configuração de firewall fácil de usar, tudo precisa ser feito manualmente, novamente uma coisa que um iniciante não sabe fazer. No final além de continuar logado como root, ele deixa o firewall desabilitado.

Apesar disso o Slackware é considerado uma das distribuições mais seguras, simplesmente por que presume-se que o usuário saiba o que está fazendo. Este é justamente o problema, o Kurumin é desenvolvido tendo em mente justamente os usuários iniciantes, que muitas vezes não sabem o que estão fazendo, que são freqüentemente ignorados por outras distribuições. A idéia é oferecer configurações default relativamente seguras, mas sem comprometer a facilidade de uso. Em alguns pontos é preciso impor algumas coisas, como obrigar o usuário a definir senhas durante a instalação, não deixar nenhum servidor habilitado por default e não permitir que o root seja usado para fazer login no KDE.

Depois que o usuário adquirir mais conhecimento, ele tem a chance de decidir se quer continuar usando o sudo ou não. O sudo pode ser desativado caso desejado, o que pode ser feito facilmente editando o arquivo /etc/sudoers ou clicando na opção do menu. Você pode criar outros usuários, etc. como em qualquer outra distribuição.

Quando falo sobre "segurança local" falo sobre a segurança contra danos causados por alguém que possua acesso físico ao micro, ou seja, tenha liberdade para usar o seu micro quando você não estiver. Não existe como impedir que alguém que está sentado na frente do seu micro faça alguma coisa errada, é perda de tempo, afinal se ele quiser mesmo causar algum dano, nada mais prático do que simplesmente enfiar o pé na CPU. Vai dar um prejuízo muito maior que qualquer comando de terminal e não requer nenhum tipo de conhecimento prévio.

Servidores geralmente não possuem teclado nem monitor e ficam trancados em salas isoladas. Eles são acessíveis apenas via rede, um perímetro mais fácil de proteger. O administrador acessa o servidor via SSH e faz tudo que precisa remotamente, através de um canal encriptado. O servidor só é manipulado físicamente quando é preciso fazer uma reinstalação do sistema ou em caso de falha de hardware.

 

extraido de: http://www.guiadohardware.net/artigos/310/

Se gostou da matéria deixe um comentário or subscribe to the feed and get future articles delivered to your feed reader.

Comentários

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

(obrigatório)

(obrigatório)